Lisboa, Fevereiro de 1994, escola de jazz do Hot Club de Portugal. É neste cenário que Tiago Santos (guitarra) e Francisco Rebelo (baixo), se encontram e começam a fazer música juntos. Partilhando o mesmo amor pela música e o prazer da descoberta de outros ritmos e sonoridades, 3 outros colegas da mesma escola, João Gomes (teclas), Paulo Muiños (Sax) e Nuno Reis (Trompete) acedem ao convite de formar uma banda. Meses depois e após algumas jam sessions com diferentes rappers amigos, recrutam Melo D para preencher as vocalizações na banda e as primeiras canções dos Cool Hipnoise começam a surgir. Eram os tempos embrionários do Hip-Hop em Portugal e, sentindo um forte apelo fusionista nessa música, começámos a integrar nos nossos temas muitas das influências musicais que mais associavamos ao Jazz e ao Hip Hop dentro da nossa cultura musical como o Soul, o Funk, o Reggae, a música do Brasil e de Africa.
É com esta formação e inspiração que em 1995 gravamos o primeiro album Nascer do Soul, produzido pelo britãnico Luke Williamson (dos Big Cheese All Stars). As faixas “ O funk é mem’bom” ou “Ela era o meu estilo” ficaram como clássicos do género acid jazz da primeira metade dos anos 90 em Portugal. Simultaneamente e numa atitude pioneira no meio musical português, submetemos algumas das faixas de “Nascer do Soul” a remisturas, sendo de destacar a do japonês Nobokazu Takemura ao tema “Bairro da Lata”.
Muitos concertos depois, chegámos a 1997 e a Missão Groove. Produzido por Ralph Droesemeyer (da etiqueta Yo Mama e actual mentor do projecto Mo’ Horizons), o nosso álbum mais conhecido, que foi quase disco de prata, tinha em temas como “Groove Junkie” ou “Ponto Sem Retorno” alguns dos seus momentos mais altos. Para a reedição deste álbum, alinhámos ainda algumas versões e remisturas: “Don’t Stop Til You Get Enough” (Michael Jackson), “Águas de Março” (António Carlos Jobim), “One Love” (Massive Attack) e remisturas a cargo de Max Brennan (Fretless AZM) e Rui da Silva as quais reincidiam nos caminhos da reinvenção sonora que sempre nos guiaram. Missão Groove receberia o galardão de Álbum do Ano nos Prémios Blitz relativos a 1997.
Foi ainda nesse ano que nos estreámos em França, no Festival Printemps de Bourges com dois concertos, que abriram portas para uma tournée europeia entre 1997 e 1998 passando por Espanha, França e Alemanha.
Para o terceiro album editado em 2000, Música Exótica para filmes, rádio e tv, fizemos algumas remodelações internas – Melo D abadonou temporariamente a carreira de cantor, enquanto a secção de metais optava por outros rumos musicais –Ficámos apenas os três: Tiago Santos, Francisco Rebelo e João Gomes, como músicos ,compositores, e arranjadores, e alistámos os serviços de Nicholas Raphael, mais conhecido como Nick Manasseh.
Com o currículo deste produtor britânico não é de estranhar que este álbum tenha um sabor dub tão vincado. Mas essa escola foi sempre uma das nossas paixões desde o primeiro álbum (“Morning Star” ou “Passa-me o Vinho”) .
Para nós o grande desafio deste álbum foi, obviamente, encontrar as vozes certas para as visões musicais que entretanto vínhamos a desenvolver. Fernanda Abreu, depois de uma colaboração no programa luso-brasileiro de TV “Atlântico”, foi uma escolha natural. Fizemos um arranjo para “Dois” (um original da própria Fernanda Abreu) que depois enviámos para o Brasil onde a cantora registou a sua parte. O resultado final foi misturado em Lisboa.
Com os Last Poets a história foi diferente. Depois de uma passagem deste mítico grupo norte-americano pela galeria Zé dos Bois em Lisboa, e respondendo a um convite prévio, Umar Bin Hassan, Abyodun Oyewole e o percussionista Babatunde fizeram “C’Mon Family” numa extensa jam session connosco, emprestando o seu histórico timbre a um tema duro e angular.
As vozes de Marga Munguambe e de Orlando Santos são dominantes neste álbum. “Mofo”, “Nada a Declarar”, “Dama Dada” e “Sofá”, são interpretados por Marga a quem se juntou Orlando em “Manobras”. Este, por seu lado, é a voz de “Kama Kove”, “Entre o Sol e a Terra” e “Dub Is Wise”. Marta Hugon, surge em “Lis-Kgt-Hav” (Lisboa, Kingston, Havana) e Sónia
Tavares( the Gift) numa versão alternativa de "Dama Dada".
Aproveitando algumas das sessões instrumentais, e misturas dub gravadas durante a produção de MEfrtv , Manasseh compilou in a fine style um novo disco para 2001 Exotica part II and other versions.
Em 2003, uma compilação desses dois albuns, MEfrtv e Exotica part II and other versions com a selecção dos temas a cargo de Nicolai Beverunsen, foi editada pela editora alemã Echo Beach, na série - Selected Cuts. Esta foi, a nossa primeira edição internacional, logo numa editora, embora virada para um universo mais especifico ( o do dub, e da música electrónica), com uma grande implantação e distribuição mundial, e que permitiu que o nosso nome chegasse aos 4 cantos do mundo.
Depois de nos últimos anos nos termos repartido pela aventura paralela – Spaceboys e diversas participações em compilações: Mundial 2002 – cd não oficial, com o tema Huelaaa! ( 2003) e AMÁLIA Revisited, com a versão do tema Flor de Lua (numa Wet Moon version), chegámos a 2005 e reparámos que já andamos nisto há 10 anos.
Para comemorar esse facto, e enquanto preparávamos novo material, lançámos um disco duplo com o conceito Best Of – Cool Hipnoise 10 anos de groove. No CD1, os nossos principais singles, no CD2, algumas raridades e extras não editados nos nossos álbuns. Para single deste álbum, gravámos um tema original, ao estilo roots – Brother Joe, onde apresentamos uma nova voz – Milton Gulli.
Com Milton e Marga nas vozes, a quem se juntaram também Marcos Alves (bateria) e Hugo Menezes (pecussões), ainda no final de 2005 começámos a pré-produção de um novo álbum de originais -Cool Hipnoise, o quarto da nossa carreira. Neste disco optámos por um regresso ás nossas origens, com uma abordagem mais orgânica nos arranjos, feitos em conjunto por uma banda fixa que trabalhou os temas durante 3 meses antes de entrar em estúdio para os gravar.
A produção do álbum esteve pela primeira vez a nosso cargo, com a preciosa ajuda dos nossos companheiros de todos os anteriores trabalhos Luís Caldeira e Artur David.
Esperamos que este disco nos permita repetir por muita tempo as fabulosas experiências que foram o partilhar dos mesmos palcos com Zyon Train, Dreadzone, Gentleman, Lamb, ou UB40 entre outros, sublinhando naturalmente o grande momento em Lisboa com o mestre Lee Perry.
Muita paz
|
|